terça-feira, 23 de novembro de 2010

O desenvolvimento sustentável e a Praia de Taquarinhas

Algumas frases e expressões adquirem um caráter de atualidade e acabam sendo utilizadas profusamente, muitas vezes assumindo um significado conflitante ou até mesmo contrário à sua verdadeira acepção.

Nota-se essa contradição com a expressão “desenvolvimento sustentável”, onde os defensores de um crescimento desmedido justificam a progressiva apropriação dos recursos naturais que ainda restam, levantando essa bandeira de uma falsa modernidade em relação à proteção do meio ambiente.

A sustentabilidade prevê um equilíbrio entre duas forças, de um lado o desenvolvimento econômico e de outro a capacidade de renovação dos recursos naturais de forma que esses não diminuam de uma geração à outra.

Como equilibrar essa balança com taxas de natalidade crescentes, maior longevidade da população e um estilo de vida consumista com a preservação dos ecossistemas?

A capacidade de renovação da natureza não é compatível com a atual utilização de seus ativos, portanto, cabe ao homem frear suas demandas, modificar seu estilo de vida, sob pena de esgotamento dos recursos naturais existentes.

Não há nenhum fundamento para se dar preferência à atual geração em utilizar os recursos naturais abundantemente em detrimento das gerações futuras que não mais disporão desses recursos para sua utilização ou até sobrevivência.

Paulo Affonso Leme Machado, na obra Direito Ambiental Brasileiro (2004, p.50), assim defende essa acepção:

A preocupação com a natureza deve também integrar o desenvolvimento sustentável. Nem sempre o homem há de ocupar o centro da política ambiental, ainda que comumente ele busque um lugar prioritário. Haverá casos em que para se conservar a vida humana ou para colocar em prática a “harmonia com a natureza” será preciso conservar a vida dos animais e das plantas em áreas declaradas inacessíveis ao próprio homem. Parece paradoxal chegar-se a essa solução do impedimento do acesso humano, que, afinal de contas, deve ser decidida pelo próprio homem. (destaque nosso)


Trazendo essas reflexões, amparadas pelos princípios de direito ambiental internacional, para a praia de Taquarinhas, fica claro que o destino sustentável da última praia em estado natural da região seja mesmo o de criação de um parque estadual com acesso à visitação monitorada, o que poderia trazer grandes benefícios econômicos, até estendendo o tempo de permanência dos turistas na cidade e atraindo tantos outros, como excursões de instituições de ensino, no intuito de ministrar e complementar os conteúdos de Educação Ambiental.

Nesse sentido, o Princípio 21 da ECO/92 assim dispõe:

A criatividade, os ideais e a coragem dos jovens do mundo devem ser mobilizados para forjar uma parceria global com vistas a alcançar o desenvolvimento sustentável e assegurar um futuro melhor para todos.

O momento exige que as verdadeiras proposições do desenvolvimento sustentável sejam entendidas e atendidas, já que não há mais como pensar em sociedade de forma dissociada do tema do meio ambiente, uma vez que toda ação do homem deve ser planejada sob a ótica da proteção do meio ambiente, caso contrário, os danos provocados podem se tornar irreversíveis, comprometendo a própria perpetuidade da vida da maneira que se conhece.


Eliana Ruiz Jimenez

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reunião de representantes da sociedade civil com o prefeito Edson Renato Dias realizada em 11/11/2010

O Prefeito recebeu a todos com muita cordialidade. Ressaltou que é nascido e criado em Balneário Camboriú e que o futuro da cidade, principalmente no tocante ao meio ambiente, é assunto de seu interesse, principalmente para que as gerações futuras possam desfrutar de paisagens naturais e áreas preservadas.

Diante das reivindicações apresentadas pela sociedade civil, propôs uma “política de inclusão”, argumentando que a democracia plena é aquela que inclui a todos e abriu para que as entidades que tenham vontade e legitimidade para participar da APA Costa Brava possam ser incluídas no Conselho Gestor, entre elas as Associações de Moradores da Praia de Laranjeiras, do Bairro da Barra, dos Quilombolas, do Comitê do Rio Camboriú e da OAB.

Comprometeu-se a enviar a mensagem de um governo amplamente democrático e da sua “política de inclusão” a todas as suas secretarias para que possam atuar em uníssono com a linha de conduta do chefe do executivo municipal.

A reunião foi proveitosa no sentido de eliminar os entraves para que se possa avançar e efetivamente zelar para que a praia de Taquarinhas e toda a APA Costa Brava sejam tratadas como um patrimônio valioso de toda a comunidade e porque não dizer do Brasil, visto que a cidade tem forte apelo turístico e o cuidado na preservação, com certeza, tem o condão de atrair visitantes que se congraçam com a gestão preservacionista da Prefeitura Municipal.








quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O destino de Taquarinhas - resultado da audiência

Ocorreu nesta terça-feira, 03/11/2010, a audiência de conciliação que poderia resultar na revogação da liminar que impede a Empresa Thá de construir um empreendimento imobiliário na Praia de Taquarinhas.

Cerca de cem pessoas, entre ambientalistas, estudantes e representantes de ONGs mobilizaram-se em frente ao prédio da Justiça Federal em Itajaí, pedindo pela manutenção da liminar, portando cartazes com dizeres como “Salve Taquarinhas” e “A praia é do povo”.

Os manifestantes também pediam aos deputados que agilizem a votação do Projeto de Lei 612/09 para que seja criado um parque estadual no local.

A empresa Thá, ré no processo, apresentou a proposta de criação de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), no que teve o apoio da FATMA. A Prefeitura de Balneário Camboriú até interessou-se por conhecer melhor o projeto, mas a proposta foi prontamente rejeitada pelo Ministério Público.

Representantes de nove entidades foram admitidos na sala de audiência e ouviram do Juiz que não haveria suspensão da liminar, porém, o processo vai tramitar normalmente, sendo que o próximo ato processual é a apresentação de provas por ambas as partes.

A próxima etapa requer que os simpatizantes pela preservação da Praia de Taquarinhas continuem mobilizados, uma vez que o conjunto probatório que for juntado ao processo será fundamental para o convencimento do Juiz, no sentido de sensibilizá-lo da importância de manutenção desse espaço natural de mata atlântica para as futuras gerações.

O Jornal Página Três acompanhou a manifestação e publicou fotos que podem ser vistas no link:
http://blogp3.com.br/index.php/emtempo/12-geral/1186-manifestacao-prol-taquarinhas?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter